“The Nowhere Boy”: MIKA encontra confiança para sair do armário

Tal como anunciado no Facebook do MIKA – Portugal, aqui fica a recente entrevista do MIKA concedida ao “The Huffington Post”, traduzida para Português 🙂

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MIKA, super estrela pop gay, explodiu para o sucesso em 2007, com a permanente missão de declarar “Grace Kelly”, e uma vista de “queijo-suiço” de dentro do armário. Seis anos depois, ele está firmemente cá fora e com um novo discurso no título de “Origin of Love” do ano passado. Onde “Kelly” negociava em forma de coros e piscadelas ofuscantes em direcção a políticas de identidade, “Love” corta o teatro e confia na sua metáfora universal de “atracção é vício” como um sólido “lead-in” emocional para um álbum de músicas pop de amor. Onde o Mika era uma vez um pacote gigante de chicletes azedas, ele é agora um doce a condizer com o seu próximo 30º aniversário – digamos, uma goma em forma de urso no fundo de uma garrafa de “kombucha” (espécie de bebida): doce, sustentável, efervescente e com uma ressonância inesperada.

O cantor completou recentemente uma pequena Tour pelos EUA, incluindo “Washington  D.C.’s ultra-polite 6th” e Singapura, ainda mais provando que uma estrela pop pode mudar o seu alinhamento.

Esta entrevista foi feita por telefone a 5 de Abril de 2013.

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Zack Rosen: É seguro dizer que você cresceu um pouco desde que foi lançado o álbum “Life in Cartoon Motion” em 2007?

MIKA: Eu faço a maioria do meu crescimento nos meus discos,  tal como eu seguir em frente, como eu desenvolver as minhas composições, e como a minha vida evolui, sempre vai ser registado nos meus CD’s. Eu gostaria de me permanecer fiel a mim mesmo e não comprar uma pessoa diferente. Estranhamente, eu sinto que me tornei cada vez mais “preso” na minha vida normal, e mais aberto e sincero na minha música.

Rosen: No seu segundo álbum, “The Boy Who Knew Too Much”, parecia muito nervoso e irregular. Parecia-me alguém a recuar.

MIKA: O segundo álbum é a parte dois do primeiro. O primeiro é rosa e verdes, e o segundo é um layout semelhante, mas em azul e roxo. Eles foram um complemento um do  outro. Este é novo, “The Origin of Love” é uma coisa diferente. É como um novo filme.

Rosen: Como se sente sobre o seu primeiro single, “Grace Kelly”, seis anos depois?

MIKA: Eu me sinto exactamente o mesmo sobre ele. Era uma representação perfeita de mim com 23 anos. Porque são as minhas músicas e um nascimento para a vida real, elas representam algo real, não são apenas “compras de compositor”. “Grace Kelly” ajuda-los a envelhecer graciosamente. Essa coisa toda sobre os 30 anos, todo o mundo me fala sobre isso, mas eu digo que tenho uma crise de meia idade cada vez que eu começo e termino uma gravação.

Rosen: Você ainda sente “”identity mad” ? (crise de identidade, em relação a Grace Kelly)

MIKA: Eu não tenho ideia de quem eu sou. Eu sou “The Nowhere Boy” (rapaz de lugar nenhum). Fui criado em muitas culturas diferentes, movendo-me o tempo todo, e eu acho que descubro a minha identidade em minhas músicas. Eu projecto a identidade eu quero ter ao longo das músicas que eu escrevo, identidade que para mim é algo que tem que ser bem jogado e explorado, e não se tornarem complacentes ou desinteressados a esse respeito.

Rosen: Sair do armário expandiu quem você é como músico?

MIKA: Houve uma descomplicação na minha vida. Cheguei a um ponto em que eu estou realmente feliz. Não nas tarefas básicas do dia, eu não falo nas cafetarias. Fiquei feliz com a liberdade que eu tinha para escrever o que eu escrevo. Chegou a uma fase em que eu disse: “Eu ganhei isto sozinho, para a minha vida .” Eu recebi muita orientação e ajuda para chegar a uma fase onde eu me sinto confortável na minha pele, sem odiar o meu redor ou me sentindo impotente, por isso estou escrevendo músicas que reconheçam isso.

Rosen: Quem lhe deu orientação?

MIKA: Eu tive um professor na escola, que basicamente fez da sua missão tirar-me sempre de apuro. Ele era o bibliotecário na minha escola, um inglês muito excêntrico que se mudou para a Austrália e vive na Escócia, penso eu. Ele viu que eu estava tendo dificuldades em conformar-me, não só com coisas como fazer amigos, mas também no meu trabalho. Eu estava tendo um momento complicado para me manter nessa difícil vida académica. Então ele fez um “desporto” para mim que me fazia sair da escola duas tardes por semana. Ele costumava fingir que estava trabalhando na biblioteca, mas, em seguida, ele vinha ter comigo e reservava uma sala de música. Então eu escrevia músicas e ia mostrar-lhe as coisas que eu ia fazendo. Ele me deu espaço para não me conformar, e fugir essa orientação.

Rosen: Qual é o nome dele? Ele gostaria de saber que você se lembra dele.

MIKA: Hugh Eveleigh, ex-bibliotecário na escola de Westminster. Ele foi incrível. Há pessoas que olham para “fora” com estranheza, e, em vez de punirem, eles ajudam, e por isso muitas pessoas têm feito isso ao longo do caminho para mim. Eu acho que o que estou a dizer é que tudo isso tem a ver com tolerância das pessoas, sendo capazes de olhar para a vida de uma forma ligeiramente diferente e serem autorizadas a fazê-lo.

[O assunto da entrevista foi desviado ao falarmos sobre a natureza da celebridade, mas o Mika volta ao assunto com o seguinte:]

MIKA: Eu dei um concerto ontem à noite em Philadelphia. Alguém estava fumando algo desagradável na primeira fila, e o fumo todo estava a chegar ao palco. Normalmente, isso não me incomoda, mas isso era tão forte a nível químico, que isso  me bloqueou o cérebro, e eu não conseguia lembrar-me das minhas letras e não conseguia manter o tempo certo no piano. Apenas essa fila entendeu o que estava a acontecer. Mas eu estava a cantar “Popular Song” e tive de parar três vezes. Cheguei ao segundo verso três vezes e esquecia-me do que era suposto acontecer. Eu senti-me como se tivesse 14 anos num acampamento, fumando pela primeira vez. Quem estava a fumar essa m**** devia ter saído para fora do concerto.

Rosen: Qual é a sua canção favorita no CD “TheOrigin of Love”?

MIKA: A música que ninguém conhece. “Heroes” é baseada num poema de AE Housman chamado “The Lads and Their Hundreds to Ludlow Come Into the Fair”, da 1ª Guerra Mundial. Mais de uma geração de jovens morreram no Reino Unido. Housman descreve esses homens e como quase todos aqueles que nunca mais vão voltar, pois vão morrer na sua glória e nunca mais voltar. Eu estava a ler um artigo sobre o processo de recrutamento do exército nos Estados Unidos, como tantas pessoas estão sendo recrutados noutros países com 19 anos, em troca de segurança, educação e dinheiro para as suas famílias. Eles não têm ideia sobre a história ou geografia do país, lutando uma guerra que eles próprios não entendem. Eu reinterpretei o poema Housman, e tentei fazer uma versão moderna do mesmo para colocar num álbum pop. A ideia do álbum é que é uma colecção de canções de amor. Tanto feliz como amargo. Canções de amor sobre religião, sobre a sexualidade, sobre uma mãe e o seu filho, um como esta sobre um soldado que você nunca conheceu. A nível lírico, eu gosto disso.

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(Fonte: http://www.huffingtonpost.com/zack-rosen/the-nowhere-boy-mika-finds-confidence-in-coming-out_b_3111440.html)

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